Drones com matrícula visível só para as polícias

Eu não fui. Uma imagem com uns que não seria fácil hoje. Lourenço Medeiros, Futuro Hoje na SIC.
Eu não fui. Uma imagem com uns anos que não seria fácil hoje. © Lourenço Medeiros

A DJI anunciou agora a disponibilidade do seu sistema de identificação remota de drones para as autoridades, AeroScope. Só uma nota prévia para quem nunca experimentou voar um drone, é necessário usar uns mapas que indicam zonas restritas e zonas proibidas. Normalmente os programas de controle remoto dos drones obrigam ao respeito das regras, mas é fácil ultrapassar a maior parte das proibições. O problema dos voos ilegais está resolvido com este AeroScope? Não, mas é um passo significativo. O sistema usa a comunicação que tem sempre que existir entre o drone e o seu comando, para transmitir a identidade da máquina, como se fosse uma matrícula electrónica.

Tem sido testado em dois aeroportos e parece que funciona, mal um drone descola na zona proibida coberta pelo novo aparelho detector este é identificado e a sua localização, altitude e velocidade são mostradas num mapa.

Quem já usou um drone da marca sabe que este só funciona depois de activado o que implica enviar a identificação do dono à DJI.

Fiz esta imagem no vulcão Etna sem pedir autorização, cá seria ilegal. Lourenço Medeiros, Futuro Hoje na SIC, drones, voos ilegais
Fiz esta imagem no vulcão Etna sem pedir autorização, cá seria ilegal. © Lourenço Medeiros

Claro que conhecer o “dono” não é a mesma coisa que saber quem o está a comandar mas o mesmo acontece com a matrícula de um carro e o seu condutor, e a matrícula continua a ser um sistema que funciona razoavelmente como dissuasor.

Depois, saber onde está o drone não implica automaticamente saber onde está o dono, nem quer dizer que as autoridades possam intervir em tempo útil, mas se todos os drones forem identificados é muito provável que certas pessoas pensem duas vezes antes de correr riscos.

Só que, o sistema é de uma marca, a DJI. Mesmo sendo de calcular que tem cerca de 70 por cento do mercado os outros 30 continuam por identificar. A DJI diz que vai fornecer a tecnologia, vamos ver se as outras marcas a querem. Uma pequena parte dos drones que por aí andam é construída pelos próprios donos, mesmo que seja uma quantidade negligenciável, é provável que um grupo terrorista o consiga fazer se o considerar importante.

Os drones estão identificados perante a DJI, convém esclarecer a quem é que a empresa se dispõe a entregar a informação e com que rapidez o poderá fazer. A empresa faz uma boa defesa do sistema e até prevê que se mantenha a privacidade de todos os voos que não estejam a quebrar regras.

Provavelmente este sistema implica custos para as autoridades o que quer dizer que mesmo que se disponham a gastar o dinheiro…vai levar muito tempo a estar efectivamente implementado numa escala decente. E seria interessante perceber que escala é essa. Será que as polícias deste mundo consideram prioritário ter deteção de dornes instalada em permanência em cada zona proibida? E em cada evento? Como os jogos de futebol? É mais por aqui que tenho dúvidas quanto à real eficácia, mais por razões de prioridades políticas do que pela eficiência tecnológica.

De qualquer forma a lei precisa de ser profundamente alterada. Num próximo texto vou explicar alguns pontos menos falados que na minha opinião seriam fáceis de resolver. Já que veio até aqui, subscreva o blog para não perder esse texto.

A defesa da DJI do sistema pode ser lida aqui

 

4 comentários em “Drones com matrícula visível só para as polícias”

  1. Eu habito numa zona “remota” considerando o número de utilizadores de DRONES por quilómetros quadrados. Contudo, o sentido de responsabilidade deve estar sempre acima das regras hexistentes. Quer do país ou local onde o “drone” vai voar. Há atitudes e regras, em que o bom senso impera! E o abuso é desnecessário! Mesmo quando não temos restrições legais! Amigos, temos restrições de bom senso, creio que basta. Quem pisar o risco, ups! O sensor do DJI referente à próximidade de aeroportos ou de outras áreas consideradas restritas/de cuidados acrescidos, funciona. Eu já os testei. Sugiro que respeitem, se não o fizermos, nem puderemos voltar a voar sem brevê para os A380! obrigado pela vossa sensibilidade.

  2. Esta medida já é um começo para que se faça algo, pois até agora nada tinha sido feito. Mas será que muitas destas escapadinhas proibidas não são é procura do video perfeito para que possa ser divulgado, á procura do maior número de visualizações, em troca de valores monetários ? Talvez outro passo fosse fazer com que os fornecedores desses serviços, não permitissem o upload dos vídeos proibidos nos servidores pretendidos, por exemplo..

    1. Para já não podemos considerar uma medida concreta . É uma proposta da DJI que provavelmente vai avançar pelo menos nos drones deles. Não vejo mal nenhum em fazer imagens por dinheiro dentro da lei claro. Não vejo como é que distinguiria o que é vídeo legal de ilegal antes da publicação. O

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