Não posso fotografar o meu cão a 4 metros do chão se usar um drone

Aquelas fotografias que fazemos todos ao aterrar em Lisboa também precisariam de pedido e autorização. Lourenço Medeiros, Futuro Hoje na SIC
Aquelas fotografias que fazemos todos ao aterrar em Lisboa também precisariam de pedido e autorização, © Lourenço Medeiros

Falava então no texto anterior que ainda pode ler aqui, do sistema da DJI para permitir às autoridades a identificação imediata de drones em zonas proibidas.

Parece-me um passo importante. Mas como está mais que provado as proibições exageradas raramente surtem efeitos, e assim como a DJI está a criar este sistema, deveríamos pensar em usar a tecnologia para sermos mais razoáveis.

Quem vir o mapa das zonas proibidas em Portugal a tempo, provavelmente desiste de comprar um drone. Ou mais tarde ou mais cedo acaba por infringir a lei, com um sentimento de impunidade e mais do que isso, com a consciência muitas vezes de não estar a fazer mal a ninguém. Mais um daqueles pequenos pecados a que ninguém dá importância mesmo que neste caso seja ilegal e até grave. Deveríamos aproveitar a precisão do GPS para definir zonas de proibição efectivas e razoáveis. As zonas actuais são na sua maioria círculos desenhados a compasso em redor de um ponto, como uma base aérea. Não faz sentido.

Google Maps e outro sistemas a imagem da nossa paisagem carece de permissão. Lourenço Medeiros, Futuro Hoje na SIC
Google Maps e outros sistemas a imagem da nossa paisagem carece de permissão, © Lourenço Medeiros

Deveríamos também alterar a lei quanto à realização de imagens. E isto nem depende muito da tecnologia. Neste momento, se eu fizer uma foto com o telemóvel do quarto andar de um prédio para o pátio é perfeitamente aceitável. Mas se levantar um drone à altura do segundo andar para fazer uma fotografia do meu cão estou a cometer uma ilegalidade. Porque é considerado um levantamento aéreo. Ou seja, para ser legal, qualquer imagem ou vídeo feito a partir de um engenho voador carece de permissão explícita da Autoridade Aeronáutica Nacional, seja qual for o local e a altitude ou circunstâncias. É daquelas leis que ninguém vai cumprir, e que atrevo-me a acreditar que nem aqueles que têm que a implementar a consideram razoável. A lei é, salvo erro, de 1958. Talvez fizesse sentido num mundo sem drones. Não digo que se possa fotografar tudo e todos mas estas normas são impossíveis de aplicar. Dêem uma voltinha no YouTube e terão a certeza do que digo.

 

3 comentários em “Não posso fotografar o meu cão a 4 metros do chão se usar um drone”

    1. Estas acredito que serão mudadas. Tenho certeza que muitos dos “actores” estão farto, e querem leis que funcionem.
      Obrigado Filipe
      Abraço

  1. Isso é como as imagens e filmes dos incendios que tem aparcido na tv tambem devem ter pedido autorização para as fazer de um dia para outro ainda por cima num teatro de operações onde é espresamente proibido.

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