Sempre quis dar esta notícia sobre diabetes

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A colocação do aparelho na pele

Para quem não tenha paciência para ler isto, confesso que sou sensível ao assunto, a notícia neste caso é que o sistema FreeStyle Libre passou a ser comparticipado em 85% depois de um acordo com o Infarmed. Isto permitirá uma melhoria considerável na qualidade de vida dos diabéticos de tipo 1, a quem se dirige este sistema que permite monitorar a glicemia (nível de glicose no sangue) sem a tradicional picada. Há outros diabéticos que dependem de insulina mas por agora não são abrangidos.

Com alguma frequência surgem temas nas minhas reportagens que têm tanto que ver com tecnologia como com saúde.

Felizmente a tecnologia ajuda muito a melhorar a qualidade de vida de pessoas que vivem com certas doenças ou incapacidades, nada mais óbvio do que uma cadeira de rodas eléctrica.

Esta história é bem diferente. De vez em quando há pequenos ou grandes avanços para minorar os seríssimos incómodos de viver com diabetes.

Para quem não saiba, os diabéticos que usam insulina precisam constantemente de fazer um controle rigoroso da glicemia. É uma pequena análise, uma picada no dedo, depois recolhem uma gota de sangue com umas tiras que são analisada e devolvem um valor. Este valor é fundamental ao equilíbrio da sua saúde, os diabéticos que dependem de insulina têm que receber doses diárias de insulina e a dose certa é determinada pela análise da picada.. Podem ter desmaios súbitos e outras complicações, caso descurem este controlo e as doses certa de insulina.

Isto parece ser uma coisa simples mas a famosa picadinha é um flagelo para quem precisa de fazer esta operação 6 e 7 vezes por dia, há quem precise de 15 picadas diárias, nos dedos. Perdem sensibilidade nos dedos e sobretudo representa um empecilho e até por vezes um estigma social. Têm constantemente que interromper o que estão a fazer, por exemplo um formador a dar uma aula, ou sair do cinema para se “esconderem” que é o que a maioria faz e então poder proceder à tal picadinha. Conheci diabéticos que correm maratonas, não dá para parar, do tipo, vou ali e já venho.

Na minha profissão recebo constantemente propostas de notícias de novos produtos  para diabetes que por muito bons que sejam não representam grandes avanços tecnológicos. A minha resposta à maior parte destas propostas, aquelas que eu considerava que não tinham cabimento no Futuro Hoje sempre foi – faço notícia e com grande destaque no dia em que conseguirem acabar com a picadinha.

Por isso quando me foi proposto fazer uma peça sobre o lançamento em Portugal deste FreeStyle Libre fui a correr. O sistema de aplicação bastante simples fica preso à pele de quem o usa, a verdade é que tem uma micro agulha mas nada que se compare com o método anterior. Mede constantemente a glicemia e guarda os dados, basta aproximar um leitor próprio para ler o que está registado. Com algumas aplicações também é possível ler os dados com um telemóvel com NFC. Isto, além de muito mais prático e seguro permite por exemplo que os pais possam ler os níveis de glicemia de um filho adormecido sem ter que o acordar para uma operação dolorosa, dá para entender a diferença para os pais e para os filhos.

Vi e não vou esquecer tão cedo uma mulher adulta com as lágrimas a correr pela cara só porque estava a experimentar pela primeira vez o aparelho, só pela expectativa da diferença que faria na sua vida.

Podem ver a reportagem que fiz em Setembro de 2016 no link abaixo. Já falava da importância da comparticipação do sistema para cerca de 15 mil pessoas. Pouco mais de um ano depois vem finalmente a notícia desta comparticipação a 85% para os sensores que duram 15 dias, o aparelho fica a ser gratuito (custava 170 € quando fiz a reportagem) e também a novidade de que todos os menores, até aos 18 anos portanto, vão ter bombas de insulina, que permitem automatizar a toma, gratuitas.  

Pode ver a peça do Futuro Hoje AQUI

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8 comentários em “Sempre quis dar esta notícia sobre diabetes”

  1. Fica muita gente de fora. E hoje, Dia Mundial de Diabetes, recebi uma prenda da ADSE: passarei a pagar na totalidade os tratamentos do pé diabético na APDP. Quantas amputações mais, a partir de agora???

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