Samsung, ainda o S9… e as críticas honestas

Samsung S9Agora que foi apresentado o Samsung Note 9 vêm aí os “unboxings e uuuhhh aaaahhh, claro que a máquina promete, sem dúvida, mas até me cansa pensar nos alertas que vou receber todos no mesmo tom.

O que quero dizer é que com o ritmo a que estes telefones são lançados falta tempo para reflectir. Faltam críticas baseadas na experiência e não opiniões, por muito honestas que sejam criadas no lançamento. A seguir a cada lançamento os jornalistas presentes têm alguns minutos para tirar dúvidas e “testar” os novos aparelhos. Estes testes são feitos no local tal como se estivessemos numa loja a pedir para ver um determinado modelo. Não chega, mas em muitos casos é tudo o que há. É verdade que há opiniões que aparecem no dia de lançamento e os autores tiveram de facto alguns dias para testar, são feitas com aparelhos dados ou emprestados previamente e a informação deve ser mantida confidencial até ao dia do lançamento. Em tempos isto foi um bom sistema que permitia trabalhos mais sérios que estavam prontos a tempo. Hoje esses poucos aparelhos cedidos antes são na maior parte entregues não a jornalistas mas a bloguers e youtubers que são pagos pela própria marca para fazer reviews.

Sem contestar a honestidade de ninguém, muitos dizem aos seus fãs que é assim que as coisas acontecem, convenhamos que ninguém espera nestes casos uma crítica isenta mas sim as expressões de espanto do costume. Quando posso, quando puder continuarei a tentar deixar aqui e na SIC Online críticas subjectivas mas baseadas na experiência, o que é impossível neste momento em TV generalista. Ninguém imagina o Jornal da Noite a apresentar uma coisa do tipo, e agora o Lourenço Medeiros com a sua opinião sobre um telefone que foi apresentado há 3 ou 4 meses… Nem faz sentido.

Quando pude ter a experiência a sério com o Samsung Galaxy S9 escrevi e publiquei o texto abaixo mas ficou só na SIC Online, fica aqui para memória futura e na esperança de que tenha tempo e oportunidade para mais alguns, posso dizer que já há textos escritos com aparelhos de outras marcas para ler aqui em breve.

Samsung S9

Dizem que é o melhor telefone do mundo

Só para tirar já isto da cabeça, não acredito na existência do “melhor”, é sem dúvida “um dos”, mas já que aqui está, posso dar as minhas impressões. Tem que ver o vídeo com o cão lá em baixo. Nada de unboxings e uuuhhh aaaahhh, usei mesmo o Galaxy S9 por pouco mais de duas semanas. Posso dizer que tenho alguma experiência a usar estes topo de gama e que não me interessa se têm mais RAM ou menos ROM, os famosos specs dizem pouco do verdadeiro funcionamento da máquina. Vamos então à opinião subjetiva.

Nada como criar os seus próprios fundos de ecrã - Samsung S9
Nada como criar os seus próprios fundos de ecrã

Convém dizer que usei o modelo Samsung Galaxy S9 Plus e tudo o que digo se baseia nesta experiência. O S9 sem Plus é ligeiramente mais pequeno e não tem segunda objetiva nas costas do aparelho, o que o torna bastante mais limitado quanto a fazer imagens. Não deixa de ter uma boa câmara, mas é claramente inferior ao irmão maior.

 

A familia completa em todas as suas variantes, a imagem é da Samsung
A familia completa em todas as suas variantes, a imagem é da Samsung

O ecrã, podemos calmamente definir como tendo um espectáculo de imagem. Mas, e a expressão encaixa bem, não há bela sem senão. Os dois lados curvos onde a imagem chega são lindos sem dúvida mas prestam-se a toques involuntários. Limpo de alto a baixo sem os altinhos que estão a tornar-se moda, é um Super Amoled capaz de Quad HD. A  verdade é que o modo por omissão é “apenas” um Full HD, é muito bom, sem dúvida, mas usar o ecrã em todo o seu esplendor vai gastar tanto, e pelo que vi até aquecer tanto, que a Samsung lhe baixa a resolução. Depois, lá nos settings, tem um botão para pôr tudo no máximo para mostrar aos amigos. É estranho e não me parece uma opção muito correcta, mas mesmo em Full HD é muito bom.

Em termos de design acho que nem sequer é polémico, podemos ter outros gostos, mas é difícil chamar feio ao S9, o calendário que se vê aí na imagem para mim é um acrescento fantástico não só pela utilidade como lhe dá um ar distinto, como convém a um telefone de 970 euros (encontra com desconto). O normal é ter só o relógio, mas depois de ter visto um neste modo lá escavei um bocado nas profundezas das definições e encontrei. Acho que a Samsung guarda este calendário sempre ligado para quem merece, para quem se dá ao trabalho de o encontrar, e faz muito bem.

O S9 pode reconhecer o dono. Há toda uma combinação de formas de identificação, até uma bastante eficaz, que combina o reconhecimento facial com o reconhecimento da retina. É mais rápido do que eu esperava, mas mais lento que a identificação facial dos iPhone e não tem o mesmo grau de segurança. Embora não me queixe do sistema, e também por hábito, acabava por usar sistematicamente a impressão digital, que funciona maravilhosamente bem. Basta um deslizar para “catalogar” cada dedo, a identificação é rápida e eficaz e, claro, suficientemente segura para ser aceite nas aplicações de bancos. E desta vez colocaram o botão no sítio certo, mesmo assim gostava que apenas com o tacto não se confundisse tanto com as lentes da câmara.

Já vou ao que interessa mais, mas tenho que falar dos Emoji, ou AR Emoji, que quer dizer Emoji em Realidade Aumentada. É mais uma das novidades obrigatórias, este ano cada marca tem os seus.

Na minha opinião, a Samsung ainda não acertou. Conseguimos fazer facilmente um destes bonecos animados que repetem as nossas palavras ou podemos enviar expressões enlatadas para os amigos, através das redes sociais. Estes bonecos são criados com “inteligência artificial” a partir da nossa cara, uma espécie de caricatura digital. Experimentei em vários sítios com diferentes luzes e os resultados levam-me a crer que a máquina tenta tirar meia dúzia de características que lhe “parecem” ser os nossos traços distintivos e encaixa-os numa dúzia de modelos pré-formatados. Além do mais, parece tudo feito para “não ofender” ou “elogiar”, tipicamente a caricatura exagera os traços mas neste caso parece que nos faz a todos mais magros. Falta-lhe aquele rasgo analítico que leva a reconhecermo-nos num desenho em papel com meia dúzia de traços de um caricaturista. Não é de espantar, quando eles perceberem melhor do que os humanos as nossas expressões talvez tenhamos que usar máscaras.

Uma caricatura que tenta melhorar o original pode não ser a melhor opção
Uma caricatura que tenta melhorar o original pode não ser a melhor opção

O Mickey fica muito melhor com a sua voz do que com esta do video.

Um dos principais destaques deste último modelo da marca e de todos os últimos modelos de todas as marcas é a câmara, claro.

Tem finalmente um modo de retrato que detecta gente e desfoca o fundo, uma das melhores aquisições da fotografia mobile dos últimos meses. Uns melhor, outros pior, mas é um acrescento de valor em que quase todas as marcas estão a investir. O S9 tem e funciona bem.

É o primeiro telemóvel a ter uma abertura f1.5. Sem entrar em questões técnicas isto quer dizer que é bom para pouca luz ou fotos em movimento. Mas como não há absolutos é também o primeiro a fazer o que qualquer máquina fotográfica faz, variar a abertura entre os tais f1.5 e f2.4 . É mesmo possível ver o orifício das lentes a variar o tamanho.

O modo de câmara lenta é muito bom. Acrescentaram um de câmara super lenta, 960 frames por segundo a 720p ou seja, baixa um pouco a resolução. Isto quer dizer que claramente o modo câmara lenta tem mais definição e o modo super lenta é menos bom, mas é espetacular.  Fiz umas brincadeiras com o Fox e com ajuda da Xana no espaço da ATAAC, a Associação dos Treinadores Amadores e Amigos do Cão.

O truque é curioso, porque captar 960 frames por segundo é um processo muito intenso para o telefone, limitam este modo a uma fracção de segundo (0,2s) mas acrescentam a deteção de movimento. Apontamos a câmara ao local onde acreditamos que se vai passar o mais interessante, e dispara o modo super lento automaticamente. Nós nunca reagiríamos a tempo. E é aqui que entra o cão.

Pedaço a pedaço até ao resultado final, afinal é assim que se fazem quase todos os vídeos profissionais. E o Fox é de facto um espectáculo a saltar.

O  resultado está à vista e é possível fazer bem melhor, isto foi sem experiência nenhuma. Só o plano mais aberto onde se vê o salto completo é que foi feito em modo câmara lenta, os outros foram disparos automáticos em modo super lento.

Tem também um modo de disparo com muito pouca luz, a Samsung diz que combina 12 fotos feitas ao mesmo tempo em 3 grupos, mistura tudo com algoritmos e assim consegue melhorar as imagens noturnas. Difícil de ter a certeza que funciona a olho nu, pelo menos nos testes que fiz. Mas as fotos são excelentes, claro.

Ainda na fotografia um detalhe chato, ao ponto de em certas situações se tornar francamente irritante. Como todas estas mudanças de modo, de retrato para lento, de automático para panorâmica, de normal para selfie, se fazem com toques no ecrã, mesmo no ecrã de pré visão, é fácil dar toques involuntários. Fartei-me de perder fotos porque passava inadvertidamente para modo selfie, ou queria fazer um super slow e tirava uma foto… enfim provavelmente é falta de jeito minha mas estou a contar o que me aconteceu.

Claro que vem com mordomo virtual como não podia deixar de ser. O perigo é que começamos a ter um por cada marca, e cada um com as suas características. O Bixby ainda tem muito que aprender, e tem um botão para activar logo abaixo dos que controlam o volume, estamos sempre a pressionar por acidente. Não o fiz mas dizem-me que o tal botão físico pode ser desativado, do mal o menos. Como estas coisas se vão integrar com os aparelhos que temos em casa, lâmpadas e eletrodomésticos o ideal é que todos falem com todos, se cada marca lança a sua língua está tudo estragado outra vez. O que me leva ao que seria de esperar o Bixby da Samsung não funciona em português de Portugal. É uma pena mas a verdade é que até hoje nenhum dos mordomos virtuais o faz e eu continuo a acender as luzes da sala em inglês.

VIDEO CARREGAMENTO SEM FIOS

É impressionante, um salto qualitativo que me espantou mesmo, se colocarmos o telemóvel em posição horizontal para ver um vídeo, temos de facto bom som dos dois lados, muito imersivo, e os auscultadores da AGK que vêm na caixa são melhores ainda , uma agradável surpresa.

De resto, tudo o que seria de esperar num topo de gama. Bateria duradoura mas há melhores. Carregamento sem fios, mas é preciso comprar à parte o carregador. O telefone, se ainda lhe podemos chamar isso, custa sem os descontos que se encontram por aí 970 euros para ficar abaixo do limite psicológico.

 

 

 

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