Surface Book 2

Um teste ao Surface Book 2 feito em boa parte a 10 mil metros de altitude.
Um teste ao Surface Book 2 feito em boa parte a 10 mil metros de altitude.

Agora que é colocado à venda o novíssímo Surface GO, para trabalho leve em movimento, é um bom momento para deixar aqui o que fica de umas semanas de experiência com o Surface Book 2 a máquina portátil da Microsoft para trabalho pesado em movimento.

17 horas de bateria numa viagem de 11.
17 horas de bateria numa viagem de 11.

Trabalhar em condições mesmo num lugar de avião, até me dá algum prazer. Minimiza aquela sensação de perda de tempo na viagem entre um ponto e o outro.

Admito para usar um computador destes devia ir em primeira ;)
Admito para usar um computador destes devia ir em primeira 😉

Vamos já a um ponto fundamental, o meu maior problema a testar o Surface Book 2 foi o Windows. Começar com um máquina novinha devia ser uma experiência simples e descomplicada. Quando ligamos pela primeira vez o centro do ecrã é preenchido com retângulos que têm dentro setas e promessas em vez dos habituais ícones de acesso aos principais programas. Ao fim de umas boas semanas o desktop continua a prometer programas fantásticos que serão ali instalados. Ao que parece só tenho que esperar. E nada muda em semanas. Clicar nesses espaços de futuras maravilhas só leva a crer que o sistema ainda não acabou a configuração. Acredito que conseguia dar a volta ao problema mas escolhi esperar para ver se o sistema se decidia por si, não o fez. Continuam lá os retângulos que de nada servem com setas que prometem e não cumprem.

Promessas em formato de retângulo azul
Promessas em formato de retângulo azul
Aberto, mas pode também separar o ecrã e funcionar como um tablet
Aberto, mas pode também separar o ecrã e funcionar como um tablet

Faz-me muita confusão  que certas funções não sejam mais simples. Clicar num link da newsletter do Netflix e não abrir imediatamente. Assim de repente nem consegui indicar à máquina que devia abrir o Netflix que já estava obviamente instalado, isto a partir do mail do próprio Windows.  Enfim são estas coisas que os sistemas operativos precisam de simplificar.

Um ponto claramente a favor do Surface Book 2 e que tem evoluído com as últimas máquinas da Microsoft é o reconhecimento facial. Os procedimentos de segurança tendem a ser francamente chatos. Fazer aquele gesto de abrir o portátil, olhar para o ecrã e antes de termos tempo de pensar sermos reconhecidos e o sistema abrir com a nossa configuração é um enorme avanço. Já não é novo, mas nota-se que está cada vez mais eficiente.

Apesar do que disse do Windows fascina-me o percurso que discretamente estão a fazer na realidade mista, mas isso será assunto de outros textos e reportagens de TV. Agora estou aqui para escrever sobre o Surface Book 2 e não sobre o Windows 10.

Espaço vazio ou uma forma de proteger teclado e ecrã?
Espaço vazio ou uma forma de proteger teclado e ecrã?

Depois de lá chegar, ver os tais vídeos do Netflix é uma brisa, nem me lembrei que há máquinas que soluçam com vídeo de qualidade. O ecrã é mesmo muito bom em termos de qualidade, de resolução, de côr, para o meu gosto só é demasiado reflector. Parece que a maioria das pessoas prefere ecrãs assim muito “brilhantes” e reflectores, sempre gostei deles mais baços de forma a não ver demasiados reflexos. É assim na televisão lá de casa e aqui no avião onde começo a escrever este texto, logo a seguir a ver um episódio da série sobre Deus de Morgan Freeman, neste ecrã. Na verdade não me incomodou, nem sequer posso dizer que tenha dificultado o visionamento, mas gosto deles mais baços, estou no meu direito. No avião, mesmo o modelo de 13” torna-se grandote para as mesas em classe económica, e não é o facto de poder separar o ecrã do teclado que faz muito para melhorar a coisa, até porque também poderia dizer que o teclado serve de apoio ao ecrã. Sem o teclado ou o deitamos na mesa, ou ficamos com ele na mão. Com o teclado mesmo sendo demasiado grande lá se consegue equilibrar na mesa. A TAP é uma das companhias que têm um “apoio de ecrã” que permite ver filmes com a nossa máquina pessoal sem ter que ocupar a mesinha das refeições, mas só dá para tablets puros não demasiado grandes, não é o caso.

Quanto à caixa em si, o desenho faz lembrar dois concorrentes, a Apple e a Lenovo, entre o desenho minimalista de um e a dobradiça que fecha o teclado sobre o ecrã é de facto uma máquina bonita. Podemos argumentar que esta dobradiça é um detalhe distintivo, e provavelmente até ajuda a proteger o ecrã porque fica um grande espaço entre uma coisa e a outra.  Não tive de início nenhuma sensação de estranheza em relação ao material, é ótimo para trabalhar com as mãos em cima sem deixar dedadas, um must de sublinhar, mantém um aspecto impecavelmente limpo. Tenho que contar o episódio de um amigo meu que mal lhe pegou fez uma careta, na opinião dele tem um ar demasiado plástico para um computador premium, deu uns toquezinhos com os dedos a ouvir o barulho e não ficou convencido. Eu levado talvez mais pela sensação de peso do objecto não tinha ficado com essa ideia de material menos adequado. Diria que se comporta como material de qualidade, só que não parece.

E vamos ao ponto de sempre, o que é que se quer de um computador. A Microsoft diz que este é o seu Surface mais poderoso de sempre e não dúvido. A minha experiência com os modelos anteriores é óptima. Tive casos de programas pesados que não conseguia fazer correr em vários computadores, de secretária ou portáteis. Entupiam, congelavam, hesitavam, muito pouco prático para apresentações. Só corriam como era suposto nos Surface que usei. Para estes casos de peso, para quem quer jogos graficamente exigentes num computador totalmente “não gaming”, ou até para editar vídeo em viagem, é sem dúvida uma boa máquina que pode justificar o preço. Para mim que preciso de bom acesso à Net mas uso coisas simples como processadores de texto, com uma ocasional apresentação mais exigente é um passo atrás. Simplesmente porque o acrescento de estrutura e sobretudo de volume não me trazem nenhuma mais valia, por exemplo em relação a um Surface Pro. Gosto nos modelos anteriores que tenham teclados finíssimos e funcionais, gosto que sejam grandes tablets mas com processamento de computador e design de hoje. O Surface Book 2 com toda a sua potência parece mais um portátil com uns anos que também pode fazer de tablet.

Seguindo a tendência das ligações minimalistas vem com um USB-C muito actual, dois USB tradicionais 3.1  mas já tem acessórios para HDMI e VGA. São aquelas coisas essenciais para alguns profissionais mas que muitas pessoas não usam não estando lá a ocupar espaço, quem precisa compra à parte. Continua com a ficha tradicional para auscultadores mas funciona na perfeição com auriculares sem fios, mesmo com os dos concorrentes. Muito bem vindas as pequenas tiras anti derrapantes por baixo do teclado, espero que resistam bem ao uso prolongando.Tenho pena mas compreendo que é difícil fazer de outra forma, ainda é  necessário andar com a alimentação atrás. Eu pelo menos nunca arriscaria fazer uma viagem mesmo de um ou dois dias sem a levar comigo. Aquele pequeno tijolo com o cabo para ligar à ficha estraga-me grande parte da sensação que o bom design me proporciona. Não levei a bateria ao limite mas a Microsoft alega que dura até 17 horas de visionamento de vídeo. A ser verdade é um grande ponto a favor face aos concorrentes da Apple e já está a ser usado pelos que ainda gostam da eterna discussão entre adeptos das duas marcas.

Conforme o tamanho e as configurações o Surface Book 2 pode oscilar entre os 1800 e os 3 900 euros, mas é sem dúvida uma máquina premium. Para quem anda nisto há uns bons anos não deixa de impressionar o silêncio que se consegue em boa parte graças aos discos SSD, a marca disponibiliza configurações entre 256 Gb e 1Tb. Ram de 8 ou 16 Gb.

Falta falar da caneta. Não sou fã da solução, não uso canetas em nenhum dos ecrãs com que trabalho. Só que o problema é mais meu do que da solução. Eu não desenho uma linha direita (nem torta), embora goste muito de canetas esferográficas. Por isso não sendo a melhor pessoa para avaliar fica a ideia de que a caneta do Surface Book 2 me parece muito bem desenhada, bonita, e eficaz no ecrã, tanto quanto usei. Fica também que a achei demasiado leve, e a ausência na versão mais recente de qualquer forma de a prender que não seja o contacto magnético com o Surface é um convite a perder o objecto. O contacto magnético é mesmo muito fraco. Custa 115€.

P.S. Apareceu-me este inquérito no computador. Qual a probabilidade de recomendar este PC a um colega. Não é um mail, é mesmo uma mensagem no sistema. É invasivo e despropositado. Alguém gostaria de ver a sua televisão ou a máquina de lavar a roupa a interromper o que devem fazer com mensagens de marketing? Não me parece. Nestes tempos em que estamos até hipersensíveis às questões de privacidade esperaria mais cuidado por parte da Microsoft.

  • Subscrever Blog via email

    Indique o seu endereço de email para subscrever este site e receber notificações de novos artigos por email.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *